5/01/2010

mulher é um perigo

Postado por Quanta Luz |


Tenho observado que as mulheres, pelo menos as que me rodeiam, tem ditado seus próprios termos e regras quando se envolvem com algum homem, sem, no entanto, transparecer que elas é que estão liderando a coisa. E alias, vejo, mulheres são mestras em parecer uma coisa que absolutamente não são. A voz do povo, inclusive, prega: "Quando um homem diz que ficou com tres mulheres, foi apenas uma. A mulher quando diz que ficou com um, ficou com três" e é bem por aí mesmo. Elas são experts em como proceder no território afetivo e fazem uso de artifícios dos mais diversos para ganhar o jogo. Tanto é que tem resgatado, inclusive, elementos dos primórdios de seus tempos, quando ser irresistível e bela era sinonimo de bruxa. E o tema de hoje, acho, tem um pouco de magia negra. Tem nome: Feromonio.


"Nunca tínhamos entrado num sexshop. Decidi ir porque ultimamente está uma escassez de homem no mercado horrorosa e também porque queria ver a potencia do perfume de feromonio. Então chamei uma amiga que estava numa situação parecida. Quando estávamos quase na frente, perdemos a coragem de entrar porque tinha gente na porta."

"Começamos a rir, pensando em dar a volta no quarteirão, em ficar na frente fingindo que tava conversando e depois entrar. Mas a decisão foi fazer cara de quem sempre frequenta esses lugares... e entramos."

Agora você imaginem estas duas criaturas pra entrar num sex shop e comprar feromonio, a palhaçada. Primeiro que você fica encabulado em todas as horas: entrar, permanecer e sair. E segundo que você sair com uma sacolinha na mão é pior ainda. É meter o carão e agir naturalmente... ficar de risinho é pior. Mas você nunca sai de lá sem ter aprendido alguma coisa, nem que seja um brinquedo novo lançado. rs

"Sexshop não é nenhum bicho de 7 cabeças, mas a primeira vez é a mais difícil [como sempre]. Ah! Aprendi que dá pra sentir gosto até de caipirinha em "certos momentos" com um gelzinho que vende lá.Nada mais brasileiro kkkkk"

Comprado o perfuminho na pior das intenções, lá se vai nossas duas meninas do amor nutrindo dentro de si os mais maquiavelicos dos pensamentos, sem nem mal conseguir esperar pela hora de usar. Fui, claro, pesquisar sobre o assunto pra saber se essa coisa de feromonio realmente funciona. Me deparo com isto:

"74% das pessoas que testaram feromônios (...) experimentaram um aumento de abraços, beijos e relações sexuais. Talvez o melhor conselho para aqueles que estão procurando um parceiro ou procurando levar o seu relacionamento a um outro nível é de dar uma boa cheirada!"

rsrsrsrssrss
Meu Deus. E tem mais! Por causa do feromônio "a maioria das mulheres que vivem com ou perto de outras mulheres ajustam o tempo do seu ciclo menstrual entre si." É verdade? Você e as amigas com quem convive, menstruam mais ou menos na mesma época? Então deve ser serio mesmo isso de feromonio. Que absurdo. rs
Mas enfim. Pedi pra setir o cheiro do perfume (#tenso). O cheiro é bom, doce, meio pegajoso e sutilmente amadeirado no final. Eu senti uma parada diferente sim, mas eu tenho quase certeza que foi uma pressão pscicológica ai a pessoa acaba ficando sugerida a achar alguma coisa. De qualquer forma as meninas me prometeram usar e depois me relatar a experiencia. Esperei.

"A 1ª vez coloquei pouquinho, com receio de ficar muito... muito perigosa! Vi que o resultado vem depois que você coloca MUITO, MUITO, MUITO! O efeito é muito bom. Mas é preciso ter em mente o nome de um perfume bem doce, caso ele quira saber o nome!"

"Dá certo, depende do referencial. Funciona se já existir uma química entre você e o cara. Se não for assim, o máximo que vai acontecer é ele dizer que você está cheirosa, dar umas indiretas e pronto. Mas se você já tiver ficado com ele, o negócio vai pegar fogo."

Pronto. Das duas uma: ou o perfume funciona ou então ele faz com que a menina se sinta realmente uma feiticeira e acaba fazendo dar certo o encanto. Atrai o homem ou faz a mulher se sentir atraente. Bom, não sei, só sei que pareceu dar certo. Ambas as meninas usaram e notaram diferenças na abordagem masculina. E quem sou eu pra dizer que não?

"Eu recomendo. A dica é confiar em si mesma porque não tem feromonio que funcione em uma mulher que não acredita que pode."

"Pra fisgar o homem o perfume ajuda a esquentar as coisas. Mas é claro que você tem que ter também um 'jogo de cintura' muito bom... em todos os sentidos. rsrsrsrs"

Ui.
Depois dessa, fico até sem jeito.
Melhor ficar calado, né?
É. Té a próxima. ; )

4/24/2010

quando elas comem por dois

Postado por Quanta Luz |


Ai tá você né... Transou loucamente com o namorado (ou quem quer que seja) que até esqueceu de usar camisinha. Pois é. Mas não tem coisa pior nesse mundo do que aquela sensação ruim que a gente sente depois que passa o extase da hora e você realiza para bela da merda que você acabou de fazer. É assim quando a gente transa com quem nao devia, quando transa só pelo sexo (#tenso), e, principalmente, este caso de transar sem camisinha. Bate uma bad, uma nóia. E, se você é obrigada a arcar com as consequencias quando abre o seu examizinho de beta hcg positivo... Opa, caiu areia na fundição.
É por causa de situações como essas que resolvi trazer pro sofá hoje uma mulher que chamo carionhasamente de Mini. Que nome charmosinho né? Também achei. Ela vai falar um pouquinho pra gente como é engravidar e se surpreender com isso.
Andiámo.


elaseeunomeio - Oi Mini. Então queria que você descrevesse pra gente como foi, o que foi, ou qual foi a sensação quando você abriu o exame e descobriu que estava esperando um filho.

Mini - Ai Deus.. foi uma coisa horrorosa! Porque parte de mim me dizia que eu estava gravida, mas a minha parte consciente nao queria estar gravida. Entao quando eu abri aquele papel e li o positivo fiquei sem chão, sem saber o que fazer... Na minha cabeça oscilava o aborto e a vontade de ter, quanto mais eu pensava mais confusa eu ficava.

elaseeunomeio - Então você pensou em aborto. Como esse assunto foi evoluindo com o passar dos dias?

Mini - Pensei sim.. Filho é uma coisa que requer muita responsabilidade. Além do mais você tem que saber se o pai realmente quer, se realmente vai estar do seu lado pra viver o momento bom, mas dificil. Nos primeiros dias foi bem dificil aceitar tanto a ideia de ter quanto a ideia de tirar... E pra completar os amigos proximos tinham opinioes muito diferentes que confundem a cabeça. Mas no fundo o que tem que prevalecer é sua propria opinião e vontade.

elaseeunomeio - É. Ter um filho é uma decisão crucial na vida de uma pessoa. Muda a sua vida completamente. Por que e quando você escolheu aceitar essa mudança?

Mini - Eu não acho certo uma criança pagar por um erro que ela nao cometeu. É uma responsabilidade que os pais tem que arcar.

elaseeunomeio - Está arrependida de não ter abortado?

Mini - NÃO. Uma vez que você escolhe, nao pode pensar no que poderia ter sido.

elaseeunomeio
- Então qual o seu maior medo agora que carrega uma criança com você.

Mini - Perdê-la.

elaseeunomeio - Você se diria contra o aborto então? Por que?

Mini - Eu sou contra, mas a favor de só colocar uma criança no mundo com responsabilidade, com condições de ser criada.

elaseeunomeio
- Qual o lado bom dessa história?

Mini - eu ainda to descobrindo o lado bom mas ja descobri certas coisas...Tipo sentir o bêbê mexendo é magico, vê-lo na ultra é uma sensaçao indescritível!

elaseeunomeio
- rs Não consigo nem imaginar... Mas diante das dificuldades que você está enfrentando, achas que é possível dizer agora o que é importante realmente na vida de uma pessoa, em especial em momentos como estes?

Mini - Acho q nessas horas é que você vê quem realmente é amigo e se importa com vc. Companheirismo é tudo em qualquer momento da vida, tanto nos felizes quanto nos tristes, facéis e difíceis.

elaseeunomeio - Sua vida mudou. Qual sua visão de mundo, de pessoas, de relações... O que está diferente na sua forma de enxergar as coisas ao seu redor. Sente que é uma pessoa melhor?

Mini - O mundo e a vida não seguem linha reta, tomam caminhos inesperados. As pessoas você só aprende a diferenciar com o passar das situações, não há outro jeito. Pessoa melhor eu nao sei se fiquei mas a cada dia que passa sei que amadureço mais, vou vivendo novas experiencias e aprendendo com elas, sejam elas boas ou ruins. Mas acho que de certa forma é um crescimento, a vida que vai se moldando... E assim vamos seguindo, virando cada pagina dessa historia, uma de cada vez. Como diz a música "não nos cabe conhecer ou ver o que virá".


[clique de gravador dando stop]



Sempre me pergunto se quero ser pai. Ter filhos, criar um ser humano.
Sinto que viver, passar pela vida, e não ter filhos é como atravessar uma avenida fora da faixa de pedestre. Você chega do outro lado, é mais divertido, é perigoso... Mas você atravessa sozinho. No máximo você arranja um louco que vai com você. Um louco.
De um lado sua vida e tudo o que você quer fazer dela: curtir, crescer, produzir, viajar, conhecer, andar, nada. E do outro a missão monstra que você assume quando decide ter um filho. Pra mim ter um filho é uma relação mútua de ensinar e aprender. Um treino de saber doar-se sem esquecer de si próprio, de machucar pra evitar a dor, de amar e aprender que o que amamos não nos pertence, criar, modificar, ensinar, salvar.
Tem gente que diz que a felicidade, o sorriso de uma criança paga qualquer sacrificio. Que não há palavra que descreva ser reconhecido, amado e apontado como referencia pela criança que você criou e cresceu por sua causa.
Quero ter filhos. Mas não me surpreenderia se não tivesse daqui 20 anos.
Me odiaria se terminasse esse texto com aquelas palavrinhas clichê sobre filhos:

"Filhos pra que te-los? Mas se não te-los, como sabe-los?"

Me odeio.
rs

4/02/2010

queria vestir luz

Postado por Quanta Luz |


Algumas tragédias são cômicas. E são cômicas porque o que acontece é tão absurdo e surreal, que chega a ser engraçado. Mas é um riso sádico, se serve de consolo.
Outras tragédias são gregas, como se diz. Aqui o drama é forte, pesado, impossível ser mais denso. Haja sal e água pra derramar.
E há tragédias como a minha. Que são uma história de vida. Sabe aquela capacidade das grandes coisas se tornarem coisas trágicas com facilidade? Pois então. Não sinto que estou reclamando de barriga cheia porque na realidade não é uma reclamação. Estou constatando apenas. E também sou a favor da tese que diz que a gente só recebe aquilo que pode suportar. Então ema ema cada um com seus problemas.
Nunca tive sorte no amor, vou logo dizendo. E até nem reclamaria disso se, quando eu jogasse na mega sena, ganhasse. Mas o cara ter azar no amor e no jogo também é palhaçada. O pior de tudo é que eu não sou aquela pessoa que vive a sua vida e num belo de fim de tarde da quarta pensa em amar alguma coisa. Ah não não. Pra mim é viver o amor e ai depois lembrar que tenho que acordar cedo no dia seguinte.
Todo mundo vive em função de alguma coisa na vida. Todo mundo tem um f de x. Tem gente que quando vai dormir faz uma lista das coisas que tem que fazer no dia seguinte. Gente que repassa o que estudou pra não esquecer. Pessoas que planejam o futuro que talvez nunca venham a ter ou, com sorte, terão. Há quem reze e lamente-se das mazelas do mundo e de si. Ou que apenas desabe em sono profundo, e sinto inveja.
Mas desde que me entendo por gente, leia-se tirado o lacre de segurança do coração, deitar para dormir pra mim sempre foi uma matéria de quem. É sempre alguém. Não todos os dias sabe? Pode até ter sido a menor parte deles. Mas se você me perguntasse o que eu penso antes de dormir, seria alguém. As vezes são varias pessoas. Em confronto, comparadas, perdidas, achadas, ridículas e irritantes. Amadas, também. Ou principalmente. Sempre, sempre, foi assim. Eu canso, porque as vezes vou dormir e, contra a minha vontade, meus pensamentos devidamente planejados fogem pra lá. E aí acordo com alguém na cabeça e "Que merda! De novo?!" Sei lá quando começou isso. Uma vez, alguns anos atras, passei meses no tédio de pensar a mesma coisa. Engraçado a gente né? Que palhaçada.
Parece que Deus faz assim: "É aquele. Quem mais precisa é ele. Por isso não vou dar nada". É uma boa estratégia, reconheço. Porque, de que outra forma, saberíamos nos libertar de nossas necessidades menos primordiais? E sim, ter alguém e precisar dela não é primordial. É uma bela história, que cada segundo vale a pena, uma relação mútua de ensinar e aprender. Mas é só pra quem pode. Só pra quem é permitido.
Tenho duas décadas e um ano e já estou assim. Me pergunto se aos 40 a ladainha vai ser a mesma. Leio o blog de um cara, 40 anos, que fala assim meio como eu, esses dramalhões. Toda vez que eu leio um texto dele eu me assusto. Porque eu me vejo, não como agora, mas como eu vou ser daqui a 20 anos. Ele escreve melhor do que eu justamente porque sou eu amadurecido. Se parece comigo em diversos sentidos que não cabem de ser classificados aqui. Mas está lá, o cara que fez planos grandes demais, amou demais as pessoas com quem se relacionou, as quais achava, nunca se separaria, e hoje está aí... De cara pra vida, num f de x que ele nem sabe direito qual é.
Mas não penso e nem vou ser nada disso. Você vai ser uma pessoa assim? Eu não. Com uma lista de projetos não realizados e de pessoas realizadas que nunca deveriam ter chegado ao ponto final? Ah não. Bem vindo ao clube dos que lutam contra a vida por pirraça e, um dia, vencem. Tem gente que vence sempre, porque lhes é permitido vencer. Mas isso nem é importante pra elas. E pra quem não é permitido amar? Aí meu amigo... É foda viu?
Mas é isso aí. A gente vive, pulando de galho em galho, se apaixonando, amando, se apaixonando novamente até o dia em que a gente já fez tanto isso que nem é mais importante. Ser jovem é uma delícia e a gente pode se preocupar com o coração. Mas quando se avança no tempo e a preocupação é o dia em que você vai morrer... Bom, vão-se as exigencias, desaparecem os medos e a gente se agarra a pessoa mais proxima que tiver. Quem já tem. Que sorte! Quem não, salve-se se puder. Porque viver junto e morrer sozinho não dá rock.

Valeu por ter ouvido o Edu em dia de banzo.
O colo de vocês estava fofinho hoje. Gordinho até. Já tão se entupindo de chocolate né? Digo é nada.
rsrsrs

4/01/2010

conversa sem gênero

Postado por Quanta Luz |


Não pensei em nada pra escrever hoje minha gente, desculpa. Sério mesmo. Eu não vou mentir, nem decorei/anotei/gravei realmente as conversas com as meninas essa semana. Sei lá, to tão assim. Vou fechar esse blog. Não dá mais pra mim. Não sei dizer por que... Mas o fato é que hoje é dia de escrever. Então faço uma ultima vez, por vocês... falar de qualquer coisa.
Vou começar a escrever aqui de um jeito aleatório em que eu absolutamente não sei como vou terminar. Talvez chorando, talvez morrendo de rir, quem sabe? A vida é assim né. Montanha russa fudida. Vocês não se incomodam com palavrões. Espero que não. É impossível expressar o real valor emocional de algumas sentenças se elas não vierem pontuadas por palavrões absolutamente fora da linguagem politizada.
Então né...
Pois é.
Tá um calor do cão nos últimos dias num tá?
Fim do mundo. Então nem faz diferença colocar um fim hoje ou depois. Eu acredito demais na lendazinha do 2012. Imagina mesmo se um dia a gente ligasse a televisão de manhã cedo bem na paz com "Mais Você" e, de repente, aquela musiquinha medonha do Plantão da Globo antecedesse uma notícia do tipo:

"O Centro de Pesquisa e Tecnologia da NASA acaba de confirmar que ventos solares nunca antes registrados estão previstos para alcançarem o planeta Terra dentro de alguns meses. Segundo o chefe de pesquisas do CPT a confirmação foi o resultados de longas observações e análises dos chamados ciclos solares que determinam, de tempos em tempos, atividades atípicas do Sol."

Imagine mesmo o estado de calamidade mundial. Por isso que eu sei que ninguém vai confirmar essa história um dia. Eu já vou combinar com uma galerinha do bem que dia 21 de Dezembro de 2012, que dizem é a véspera do fim do mundo, estarei bebendo todas e qualquer coisa que eu puder. Até porque, acaba-se o mundo, mas o brinde ao desapego sobrevive. É ou não é?
Pois então.
O que você faria? Se tivesse dois anos de vida restando?
Isso me lembra Ke$ha. Sabe Ke$ha? (adoro escrever com esse $) É aquela nova estrela pop produzida pelo monstruoso mercado fonográfico norte-americano, que canta, apropriadamente "Tik tok, on the clock but the party don't stop no woah-oh oh oh woah-oh oh oh" (clica aqui se não souber, mas eu acho muita desatualização da sua parte não saber).
Enfim, hoje eu li uma matéria sobre ela na Rolling Stone em que ela diz o seguinte: "A única coisa que eu esperava era me tornar uma estrela pop antes de o mundo acabar, em 2012". E ainda completa: "A sociedade nos ensina a reprimir certas coisas, mas, se quero fazer algo, deixo que meu animal interior tome conta, não importa o quão desinibido ou irreverente seja. Quem liga? São as pessoas loucas quem mantém a vida interessante".
Ponto pra Ke$ha.
São as pessoas loucas que mantém a vida interessante.

Que tédio essa gente padrão. Sério. No fundo, apesar das aparências, o que a gente quer é alguma coisa que nos arranque diariamente desse poço profundo de burocracia sentimental. As pessoas vivem criando gavetas e portinhas e fechaduras e códigos secretos pra tratar de amor. Quando na realidade amor é um waffle mal feito, com gosto horrível e muita calda de chocolate pra disfarçar o gosto. Entende? O que eu quero dizer é que tudo é muito diferente do que a gente imagina, e o que faz dar certo é o tamanho e a veracidade daquilo que você sente.
Tem gente chamando de amor qualquer coisa por aí. Mas é uma coisa só. Uma coisa só.
Amor é quando você olha pra alguém, numa mentirosa coceira no nariz, só pra ver a reação dela diante da ultima coisa dita. Quando, sem mencionar, você gosta de deixar igual o ritmo do seus passos com o do outro ao andarem juntos. Quando a pele sorri, ao se tocarem sem querer... E você continua como se nem percebesse. Você sabe que o amor montou acampamento no átrio B do seu coração quando sentir raiva de alguém é estar em estado de alerta constante porque, de outra forma, você esqueceria e tudo estaria bem. Quando eu amo a vontade que eu tenho é de comprar o mundo pela internet e deixar uma observação: embrulhar pra presente. Colocaria na frente da sua porta e saia correndo, foragido.
Mas qual o sentido de dar pra alguém o mundo se agora ele é um bem perecível?
Tristeza.
Tudo perece. Menos o que a gente aprende e as pessoas que a gente ama. Mesmo que elas morram, elas não morrem. Mesmo que a gente morra, não morre o que aprendemos. O que fizemos, o que construimos. E não há maior tragédia, tirando aquela de não amar, do que morrer e não ser lembrado. Porque tudo perece, mas mesmo a menor das criaturas deixa um rastro de si próprio no mundo. Até a borboleta que, como diz a teoria, bate as asas e muda a vida de alguém do outro lado do planeta.
Espero tres coisas dessa vida: saúde demais, amar e ser feliz.
E quero dizer mais uma coisa...
Feliz Dia da Mentira.
O blog continua firme e forte.
huuheuehueheu
Peguei vocês.

3/25/2010

transação aprovada

Postado por Quanta Luz |

elaseeunomeio - É bom fazer compras né?

ela - Ah com certeza! Ainda mais quando você leva aquele fora horrendo ou tá se sentindo feia, gorda ou algo do tipo. Compras pra mulheres é sempre uma terapia pra levantar a auto-estima.

Então tá explicado.
Em muitos casos não tem a ver com compulsão ou desejo consumista irrefreável. A atração fatal entre vitrine e mulher acaba sendo, no fim, um cano de escape para as próprias frustrações. Se é casada e está insatisfeita, desconta no cartão de crédito do maridão fofão numa forma não pecaminosa de trair. Sim, porque, como eu já disse aqui, sapato é que nem sexo. Mas tem também os casos das meninas que formam o clube das Tristes, Solitárias, Ninguém Me Ama S/A. Que melhor forma de melhorar o humor catastrófico senão com um vestido, um short ou
um salto? Ou então, para aquelas que, não importa o tamanho do guardar-roupa ele sempre estará vazio, muito bem vinda é a novidade do inverno pra ficar guardada para sempre na caixa e massagear o ego por um tempo.
Mas quer saber de uma coisa? O amor da vida delas é um carinha chamado Mastercard. Tá ligado o Mastercard? Então. As mulheres são todas piradas por ele. Também pudera: o cara tem o nome dela tatuado em alto relevo, vive dando presente e ainda divide os problemas dela em várias vezes para que fique mais leve.
Que mulher não ia ser louca por um desse?

"Eu prefiro comprar bolsas, perfumes, sapatos e maquiagem, porque aí não vem o sentimento de 'to gorda', to isso e aquilo."

Ah, pois é. O
utro dia fui com uma amiga minha ajudar ela a comprar umas peças porque ela não aguentava mais repetir roupa. Como as pessoas me acham com cara de personal stylist, e eu não reclamo, lá fui eu todo entendido de onde achar o que.
Em primeiro lugar comprar alguma coisa pra alguém não dá muito certo porque se tem alguém que é indeciso nesse mundo, este alguém c'est moi. Mas vamos lá né? Eu num vou mentir que eu adoro um shopping com ar-condicionado cogelando e cheiro de loja que vende roupa cara né? Por favor. Eu adoro essas coisas.
Ai tá lá. Achei uma peça legal, muito bonitinha mesmo. Entreguei a ela.
"Fiquei gorda"
Outra peça. Será melhor uma M? Pode ter sido a cor. Ou será que foi o corte? Tira e veste essa.
"Eu tenho muito peito, ficou maior ainda, ó"
BE-LE-ZA. E essa? Tá muito interessante essa construção aqui embaixo, tenta pra ver se fica legal.
"Não sei... Acho que ficou muito largo aqui. Eu to gorda"
Ok.
Eu acho assim. Se a menina tá mal porque tá gorda e quer ficar mais bonita, loja não é academia. Se ela tá mal porque não tem roupa e, por acaso está fora de forma, eu acho legal assumir-se e aceitar-se. Eu mesmo. Eu sou mais magro e não faço o tipo fortão marombadão (a gente esquece a coisa do abadá de micareta blz?). Mas eu super me pegaria. Acho que a pessoa tem que se olhar no espelho e ter vontade de pegar, né não? kkkkkk Enfim. Fato é que eu consegui achar um vestido pra essa criatura que fez tudo que ela precisava: espremeu os peitos grandes, não marcou a bunda e reforçou a cintura. Foi o paraíso.

"É muuuito bom comprar roupa nova. A gente entra na loja e parece que as roupas olham pra gente: me escolhe!! E tudo aquilo: a música da loja, o cheiro de roupa nova, todo mundo te atendendo... E você veste se procurando naquela roupa no seu tipo de estado: romantica, clássica, tranquila. E tem também as pessoas falando como a roupa ficou em você. Ahhhh, eu sou consumista."

Quando essa menina me disse isso por MSN lembrei de cara da frase de uma personagem do livro Hell de Lolita Pille: "Meu credo: seja bela e consumista". Acho que, pra variar, para as mulheres fazer compras (do tipo frequente mesmo) é um como um ritual que envolve uma crença. O deus é o cartão de crédito, o pedido é beleza e poder, as sacerdotisas são as vendedoras, o altar é a maquinazinha onde o cartão simula o corte e, claro, as roupas/acessorios constituem a graça recebida ou o pedido que é atendido numa sacola bonita. A crença é a de que através daquelas peças haverá uma transformação, como se comprar fosse um pré-requisito para um upgrade pessoal. Em outras palavras, é absolutamente cabível dizer que quando uma mulher faz suas compras, seja de "eu mereço" ou de "eu posso", isso significa uma fuga, uma busca, um chamado a comungar com a religião capitalismo que lhe prega: a salvação dos seus males é dentro dos meus templos. A loja, quis dizer.
Filosofiazinha chata hein?
Fato é que é lindo Madonna se esguelando pra defender a Material Girl na música. É um material world afinal né? Se o deslize não for muito grande a gente releva. Bom é levar a vida assim, batalhando e conseguir dinheiro pra viver bem e poder pagar o dízimo em prol da paróquia Chanel. Nem precisa ajoelhar-se, é só sentar e provar o número certo. A benção a gente recebe quando alguém disser que a gente tá o máximo. Quem liga pro que diz a oposição? A Vogue prega o que a gente tem que fazer para ser belo. Aceita? Aceita o que quiser. Mas tá lá. Todo mundo é livre, comprar faz bem.
Pode ser só assim?
Acho que pode.
Mulheres compram mesmo. Liquidação é que nem dia de Santo Antonio. Todas correm para alcançar a graça. Ambos vestem. Um é o corpo, o outro é o coração. E quem escolhe o que quer, é o cliente. Acho: pode ser ambos. Em matéria de comprar, quem tem a razão, admito, são as mulheres.

beijo na bochecha.

3/18/2010

um ano

Postado por Quanta Luz |


Não sei se digo "Parabéns" ou "Obrigado".

Estamos completando um ano de blog. Eu e vocês.
Em pensar que eu quase desisti dessa idéia porque este blogspot insistia, decidido, em recusar toda e qualquer alternativa de endereço que eu pudesse escolher pra isso aqui. E foi realmente num momento "ah, vou colocar qualquer coisa" que, por acaso, o autoexplicativo "elas e Eu no meio" se tornou um lugar, uma chegada, uma partida e também uma experiência.
A gente já chorou junto. Porque homem chora né minha gente, igual a mulher (mas é menos, beeeeem menos). A gente também já tirou onda junto, já riu junto e aprendeu um monte de coisa um com o outro. Até quando falei de mim, nos entendemos.Vocês me escutaram procurando por alguém, sentiram que eu achei e também lamentaram quando perdi. E sei que nem perceberam! É que nossas experiencias acabam sendo tão fundamentalmente as mesmas, que não se sabe onde eu começo e onde vocês terminam.
Em um ano descobri um monte de coisa que nem imaginava sobre mulher. Descobri que a depilação é que nem ver um livro de kama sutra, você sempre se surpreende com a próxima posição. Descobri que quando elas dizem "traz um suco de laranja, aquele que é de limão", na verdade elas querem um sorvete de flocos. Elas adoram ser surpreendidas de um jeito "fofo". Que todas tem um jeans que é especial e que só vai pra lavanderia nas últimas consequencias. Aprendi que elas sabem que o homem dos seus sonhos não existe, mas que o que as faz bem é achar que ele vai aparecer, assim como quem gosta da certeza que o final será feliz... mesmo que nem venha a ser. Refleti sobre o que é ser uma mulher. Se dói, se é pior ou se é melhor. Mas não sei e nem nunca vou saber. E acho que não é nem pelo fato de se tratar de mulher. É por se tratar de ser humano. Ser humano é essa loucura particular sem previsão de chegada. Até porque... rs, pra onde a gente tá indo né? Vai saber...
Enfim.
Só um pocket post. Um bolo com uma vela acesa em cima. E trouxe aqui pra apagarmos juntos. Eu e vocês. E, para a vergonha alheia, vou de clichê ultrapassado: não há vocês sem mim e eu não existo sem vocês.
Feliz Aniversário pra nós.
Que nossa parceria seja sempre um sucesso.
Um brinde!
A que mesmo?
hummm....
rsrsrs

xero pra todas e... pra todos também né macharada besta.
rs té mais.

3/10/2010

por que elas.

Postado por Quanta Luz |


Lá estava eu.
Rotina. Desepertador às 06:50. Levanto às 7:10. Tomo banho, como sempre demoro mais do que gostaria pra escolher uma roupa, e vou pro carro a caminho da faculdade. Antes de entrar escuto alguém dizer em voz alta na rua: "Não ela não vem hoje não. Disse que era feriado... De dia da mulher!"
Putzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Como é que eu, que tenho um blog que fala sobre mulher, que é acessado por um monte de mulher (eu que sou o meio delas!!!), poderia esquecer do dia da mulher? E agora? Decidi que quando chegasse em casa, ia escrever um post sobre por que escrevo sobre mulheres.
Mas sei lá por onde eu começo. rs...
Eu penso que mulher é uma única coisa de várias outras. É tipo quando a gente pega areia, mistura com água e faz um waffle, sabe? No fim das contas, não se sabe realmente se a mulher é tão difícil por ser um misto de muitas coisas, por ser uma coisa só que quer ser várias ou porque é tudo ao mesmo tempo sem querer admitir. E que eu toque violão com os pés agora se eu entendi alguma coisa do que eu disse. Ou mais: se eu entendo de mulher como dizem que eu entendo.
Não eu não entendo de mulher. Eu escuto mulher. Eu vivo mulher. Eu traduzo mulher. As pessoas costumam ficar impressionadas como o que eu digo realmente condiz com a realidade do público feminino. Se intrigam como um homem pode saber tanto da vida de uma mulher. Mas eu acho que não tem nada de tão incrível nisso. Todo mundo vê, todo mundo sabe. O problema é que ninguém para pra pensar.
Eu lembro quando a idéia desse blog surgiu, ano passado. Tava no quarto de uma amiga minha, junto com mais duas outras. Sempre achei interessante a dinâmica, e diria até a química, que rola num quarto de mulher onde duas ou mais se reunem. Elas simplesmente não param de falar nenhum segundo. E é uma doidera porque mulher é esse bicho que, quando conversa, muda de assunto assim como se clicasse em links diferentes... fácil! Uma hora estão falando de um menino, ai depois sobre o cabelo, adentrando na programação dos próximos shows da cidade, para depois lembrar-se de uma novidade que interrompe brutalmente o assunto anterior que jamais terá uma continuidade. Eu tinha uma amiga que era o cúmulo disso aí. A gente passava horas conversando no meio da rua. Ai ela tava lá bem empolgada falando sei lá, da noite anterior, ai de repente ela lembrava de uma coisa. Ela dizia assim: "A gente tá falando de que? Da festa de ontem né? Pronto, guarde esse assunto pra me lembrar de continuar. Sim, mas você não acredita no que eu vou fazer amanhã. Adivinha?" Pronto. Eu não conseguia nem abrir a boca pra falar. Primeiro porque não tinha como e segundo porque eu tinha que ficar decorando sempre o que era que a gente tava conversando antes dela interromper com outro assunto.
Que stress!!
Mas do que era que eu tava falando mesmo?
Ah, do quarto. Tá vendo aí, vocês me contaminando já? To virando um monstro tagarela que muda de assunto toda hora.
Então. Foi ali, eu em silencio no meio dos casos e histórias confessados, que me veio a idéia de que aquilo deveria ser contado. No início eu queria fazer um blog com mini contos, narrativas que fossem um retrato do banal e do cotidiano de uma mulher. E achei que as pessoas iam gostar de ler porque todo mundo gosta de se ver, de se ouvir e, finalmente, de se compreender mais. É como se aqui fosse possível sermos, ao mesmo tempo, o analista e o paciente. Eu, naturalmente, sou o divã. Ou melhor, o sofá. rs
E ai surgiu o primeiro post: "quando elas se tornam Elas". Porque foi quando a roleta parou no assunto 'menstruação', naquele dia e naquele quarto, que eu tive a vontade de escrever sobre elas. E, desde então, as mulheres tem sido o meu objeto de estudo. Tá bom que as vezes eu coloco meu eu-lírico pra fora mas é bom, de vez em quando, mudar de assunto. Assim como vocês vivem fazendo.
Hoje, mulher pra mim, é como investigar uma formiga no microscópio. A gente sabe o que é, como é e o que faz... Mas sempre que a gente olha bem mais de perto, surge alguma coisa a ser dita sobre elas. É como eu sempre digo, mulher é cheia de particularidades. Mesmo depois de tanto tempo, as vezes eu imagino sem conseguir entender, como será ser uma mulher. É fascinante observar como todos os meses, ano após ano, acontece ali, dentro de uma mulher, um ritual mágico de dor e vida. Foi a ela a quem se incumbiu a missão de trazer vida, real, ao mundo. E ai quando não está pronta para acender, o corpo sangra, como se lamentasse o fato naquelas lágrimas vermelhas de dor, de sentimentos bagunçados, de sensibilidade pelo avesso. Já parou pra pensar sobre como sangrar todos os meses é assim, tudo isso, mas também apenas uma parte do que diz respeito a uma mulher?
Acalma ver os cabelos dela surfando uma onda com o vento. Acompanhar as mãos delicadas cortando o ar sem fazer barulho. Me entusiasma ve-la chegar, com as outras, esboçando risos, inclinando-se para revelar, despretensiosa, o metro quadrado de pele e carne que transpira sensualidade sem aviso. Não é intrigante a transformação que atravessa o semblante delas, assim que sobem num salto e, ali, ninguém é mais forte? A leveza do ser, a força do olhar e o caminhar suave, assim como se os pés não estivessem sendo torturados pelo sacrifício de ser 10 centímetros mais linda. E também tem aquela hora que você as encontra e não sabe bem onde se escondeu a mulher que conhece. De repente ela está ali, tão linda e repleta com aquele traço negro dos olhos que você não sabe quem está no comando; o brilho sobrenatural nos lábios em consonancia com o tecido que caminha e escorre apressado sobre suas curvas que jamais foram calculadas. Mas elas nem são assim tão fatais quanto parecem. Ah não... Todos os dias é uma luta. Nascer mulher é, por si só, uma guerra. Há de se enfrentar o preconceito, as cabeças pequenas que prostituem a liberdade de ser o que se quer ser, a descrença de que elas podem mais do que eles, ou a simples incapacidade de reconhecer que a mulher não é uma nota de rodapé mas sim um poema que precisa ser dissecado para ser compreendido.
Mulheres, ao contrário dos homens, são sempre mais do que parecem... porque os homens se esforçam, todas as horas, em parecer mais do que realmente são. E aí é sempre uma surpresa ve-las se revelando, aos poucos, pra não causar espanto. No fundo, e entre si, elas gargalham de toda essa gente que insiste em achar que elas são o sexo frágil, o lado sem ambição da espécie. Mas tudo está ali. Todas elas pertencem a essa grande irmandade unida por um passado em comum. Na mulher persiste uma carga histórica, viva, que as lembra todos os dias porque ser mulher é uma luta. Mulheres morreram. Mulheres sobreviveram, mais do que viveram seus dias... Para que, no fim, pudessem ser iguais e livres dessa gente mesquinha e hipócrita que emputece um sentimento, ou uma mera vontdade, só porque vem de uma mulher. É por isso que admiro uma mulher, que faço questão de ouvi-la, de publicá-la, de expressá-la, de entende-la.
Porque mulher...
Ser mulher, convenhamos, é uma conquista.

Feliz dia, atrasado.
;)

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